domingo, 23 de fevereiro de 2014

"E um dia, olham ao redor e percebem que todos os seus amigos e familiares se foram, que estão lutando ao lado de estranhos, sob um estandarte que quase nem reconhecem. Não sabem onde estão nem como voltar para casa, e o senhor por quem combatem não sabe seus nomes, mas li vem ele, gritando-lhes para se posicionarem, para fazerem uma fileira com as lanças, foices e enxadas afiadas, para aguentarem. E os cavaleiros caem sobre eles, homem sem rosto vestidos de aço, e o trovão de ferro de seu ataque parece encher o mundo... E o homem quebra. Vira-se e foge, ou rasteja para longe, depois por cima dos cadáveres, ou escapole na calada da noite e encontra um lugar qualquer para se esconder. Toda noção de casa está perdida a essa altura, e reis, senhores e deuses significam menos para ele do que um naco de carne estragada que lhes permita sobreviver mais um dia, ou um odre de vinho ruim que possa afogar-lhe o medo durante algumas horas. O desertor sobrevive dia a dia, de refeição em refeição, mais animal do que homem."

George R. R. Martin - O Festim Dos Corvos

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Insignificâncias que realmente importam

Certa necessidade impertinente do cheiro de um livro novo. Ou quem sabe uma estante nova. Talvez, um quarto novo. Aquele momento no qual os pés não tocam mais o chão. O momento em que não vemos direção. Balbuciamos palavras sem sentido. Um desejo de começar de novo. Um desejo clichê e prático como o verbo to be: um desejo de ser e estar.