Não que o seu gosto musical tenha me deixado transtornada. Dá pra perdoar até aquela regata naquele dia de intenso calor de verão. Dá pra perdoar aquele corte de cabelo ridículo que você insiste em usar, a falta de nexo, a sobra de gordurinhas e as piadinhas sem graça. O problema é o "pobrema", o "conserteza" e o "faser".
Eu encararia tranquilamente sua aversão à vídeo-games, seu problema em gostar de café. Encararia até mesmo o fato de você só ouvir sertanejo universitário.
Mas não dá pra encarar a "conhecidencia" de você resolver vir falar comigo, ou até mesmo a "saldade" que você ficou de mim.
Não peço que, ao falar comigo, use concordância nominal, pronomes corretos e nem que deixe de usar abreviações. Mas quando você usou um "voçê" e um "com migo", meu coração definitivamente parou. E, infelizmente, do pior jeito possível.
Não foram as baladas que você frequentava, não foram seus abraços sem graça, ou então seu beijo que deixou a desejar. Faltou um cedilha, um acento no lugar correto. Afinal, uma desilusão amorosa-ortográfica pode ser bem mais difícil de aceitar do que aquela menina que você paquerou pela internet, ou aquela festinha que você foi e nem ao menos me contou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário